Santidade de padres vale mais que quantidade, diz bispo

Arcebispo de Braga afirma que “não se pode permitir ministros de má qualidade que não só desfiguram a Igreja, como também a desvaloriza”

 

   O importante não é o número de padres, mas sacerdotes preparados para a santidade “que corresponde às exigências dos tempos”, afirmou o arcebispo de Braga, Portugal, Dom Jorge Ortiga, neste domingo, 16, no discurso da abertura Solene das atividades dos Seminários Arquidiocesanos.

 

   “O número não é tudo. Não se pode permitir ministros de má qualidade que não só desfiguram a Igreja, como também a desvaloriza, tornam-na vil, desprezível, insignificante. Multiplicar não é sinônimo de aumentar a alegria. Só o que é bom se impõe e mostra validade em todos os tempos e épocas”, assinalou Dom Jorge.

 

   A frase do arcebispo surge na sequência da citação do beato frei Bartolomeu dos Mártires e recordou: “Isto de ordenados não é ‘fazenda de números’, mas de peso. A Igreja não tem necessidade de ministros ruins, que a desfiguram e desvalorizam”.

 

   O arcebispo de Braga explicou que para os cristãos e para as comunidades, é preciso pedir ao Senhor que mande operários, mas alerta que somente a santidade dá aos muitos sacerdotes “o verdadeiro”, que lhes são necessários.

 

   Nesse sentido, esclareceu que santos é a identidade exigida em todos os tempos, particularmente o da modernidade.

 

   “Ninguém aceita que a Igreja seja uma empresa marcada pela simples burocratização, aprendida em livros próprios, onde se aplica um legalismo canônico e, muitas vezes, de interpretação muito subjetiva por parte dos sacerdotes”, disse o arcebispo.

 

   Dom Jorge considera que olhar para o cotidiano dos sacerdotes significa ver que há “muitas ordens e imposições que não se compreendem”, por isso destaca que o mundo “necessita de pastores que dão a vida pelas ovelhas”, um estilo que adquire-se nos seminários.

 

   “Viver para proporcionar a alegria, nunca a tristeza nem traumas para a vida toda”, é, segundo Dom Jorge, o critério que deve marca o agir dos sacerdotes.

 

   O arcebispo disse também que a fé é a raiz e a motivação do agir através de uma experiência “íntima e pessoal” dos sacerdotes, para que possam oferecer à Igreja, a responsabilidade de ser uma alternativa nesse mundo de confusão e interesses pessoais.

 

   “A fé na vida e a vida na fé é necessário para que os sacerdotes sejam credíveis onde é preciso haver sintonia e correspondência”, explicou o arcebispo de Braga.

 

   O sacerdote precisa “fazer pela comunidade”, coincidindo com a Palavra de Deus e o sentir da igreja, contudo, crescerá em suas ações ministeriais.