Aborto é tema de exposição feita aos bispos na tarde da terça-feira, 22 de maio

pic

Na parte da tarde da reunião do Consep, nesta terça-feira, 22 de maio, os bispos ouviram um breve relato de argumentos relacionados ao tema do combate ao aborto apresentados pelo procurador José Paulo Leão Veloso Silva, da Procuradoria Geral do Estado de Sergipe (SE). Junto dele, estavam representantes da Comunidade Jesus Menino, de Petrópolis (RJ), uma das entidades apoiada pelo Fundo de Solidariedade da CNBB.

A discussão sobre o aborto não é uma questão de liberdade, mas de responsabilidade” disse o Procurador ao apresentou uma série de argumentos que reforçam a tradicional posição da Igreja Católica de defesa da integralidade, inviolabilidade e dignidade da vida humana, desde a sua concepção até a morte natural.

Comunidade Jesus Menino

Junto da apresentação do Procurador, também falou aos bispos, Antônio Carlos Tavares de Mello, o Tônio, fundador da comunidade Jesus Menino, de Petrópolis (RJ).  “A Comunidade possuí uma alma, uma identidade que só mesmo quem vive ou tem contato com ela é capaz de experienciar. Curioso porque lidamos com pessoas que não raro são excluídas da sociedade, abandonadas por suas famílias e, no entanto, é justamente neste ambiente que aprendemos verdadeiramente o que é amar. Os acolhidos não gostam da gente por nossa posição na sociedade, status, cargo que ocupamos… Eles não fazem cálculos… O amor e apreço se apresentam de forma incondicional, tal como devem ser. Em vários momentos somos surpreendidos com lições de ternura, perdão e desprendimento. Isto, ensina-nos o verdadeiro sentido de acolher“, afirma texto de apresentação da obra.

Ainda segundo informações fornecidas no site da comunidade, hoje, os membros residem em casa doada por simpatizantes Italianos, uma casa situada num sitio de 23 mil metros quadrados. “Um local privilegiado, onde já temos diversos projetos para expandir mais o carisma, e no futuro acolher mais necessitados”. Eles contam com a ajuda ajuda de vários voluntários e atendem a 42 membros, chamados pelos coordenadores de “filhos” sob seus  cuidados e ainda 3 membros leigos consagrados e 5 casais que tem ligação com a comunidade.

Nota da CNBB

N final da exposição, dom Leonardo Steiner, secretário da CNBB, lembrou que há um ano, a Conferência emitia uma nota especial sobre o tema do combate ao aborto.

O texto, publicado em 11 de abril de 2017, afirma: “O direito à vida é incondicional. Deve ser respeitado e defendido, em qualquer etapa ou condição em que se encontre a pessoa humana. O direito à vida permanece, na sua totalidade, para o idoso fragilizado, para o doente em fase terminal, para a pessoa com deficiência, para a criança que acaba de nascer e também para aquela que ainda não nasceu. Na realidade, desde quando o óvulo é fecundado, encontra-se inaugurada uma nova vida, que não é nem a do pai, nem a da mãe, mas a de um novo ser humano. Contém em si a singularidade e o dinamismo da pessoa humana: um ser que recebe a tarefa de vir-a-ser. Ele não viria jamais a tornar-se humano, se não o fosse desde início . Esta verdade é de caráter antropológico, ético e científico. Não se restringe à argumentação de cunho teológico ou religioso“.

Além disso, os bispos lembravam: “A defesa incondicional da vida, fundamentada na razão e na natureza da pessoa humana, encontra o seu sentido mais profundo e a sua comprovação à luz da fé. A tradição judaico-cristã defende incondicionalmente a vida humana. A sapiência  e o arcabouço moral  do Povo Eleito, com relação à vida, encontram sua plenitude em Jesus Cristo . As primeiras comunidades cristãs e a Tradição da Igreja consolidaram esses valores . O Concílio Vaticano II assim sintetiza a postura cristã, transmitida pela Igreja, ao longo dos séculos, e proclamada ao nosso tempo: ‘A vida deve ser defendida com extremos cuidados, desde a concepção: o aborto e o infanticídio são crimes abomináveis’”.

E denunciavam: “É um grave equívoco pretender resolver problemas, como o das precárias condições sanitárias, através da descriminalização do aborto. Urge combater as causas do aborto, através da implementação e do aprimoramento de políticas públicas que atendam eficazmente as mulheres, nos campos da saúde, segurança, educação sexual, entre outros, especialmente nas localidades mais pobres do Brasil. Espera-se do Estado maior investimento e atuação eficaz no cuidado das gestantes e das crianças. É preciso assegurar às mulheres pobres o direito de ter seus filhos. Ao invés de aborto seguro, o Sistema Público de Saúde deve garantir o direito ao parto seguro e à saúde das mães e de seus filhos“.

No final da Nota, os bispos pediam: “Conclamamos nossas comunidades a unirem-se em oração e a se mobilizarem, promovendo atividades pelo respeito da dignidade integral da vida humana“.